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O que te faz comprar uma revista de moda?

Em junho de 2015 escrevi esse post aqui: “a forma com a qual consumimos moda está mudando” e, modéstia à parte, foi premonitório para muitas questões que nos acometem no quesito moda, seja o de consumo de conteúdo ou de compra mesmo.

Melhor dizendo, com o advento das redes sociais, tudo muda de forma cada vez mais fugaz e nada é perene, mesmo que marcas e veículos lutem para tal, é reinvenção todo dia.

Onde eu quero chegar? É que quando o assunto é moda, um veículo dominou durante décadas, muitas décadas, e com a era digital vem lutando aos trancos e barrancos: as revistas. Nos últimos anos vimos a extinção de muitos títulos, a diminuição da frequência de vários outros e uma total reformulação editorial.

Fruto da internet, veículo rápido, fresco e muito efêmero. Os blogs, há mais de 10 anos já vinham dando o tom dessa nova forma de consumir conteúdo, depois vieram as redes sociais e uma capilaridade absurda, hoje é sobre vocês. O indivíduo é quem cria a moda, quem dita as tendências. É uma comunidade micro que lança algo macro e as marcas e formatos que se adaptem.

Ok, Thereza, onde você quer chegar?

Numa pequena autoreflexão, bom, como eu tenho esse domínio aqui, estendo pra vocês: o que te faz comprar uma revista de moda? Ir até à banca e decidir gastar uns R$18-20 numa revista de moda? Ou até mesmo assinar uma versão digital e ler online? Em tempos de informação de moda farta, ACESSÍVEL e gratuita, o que te faz comprar uma revista?

Eu respondo por mim: Isso!

Eu compro revista pela capa! Pela mensagem. Pela arte. Hoje em dia revista pra mim se tornou algo pra registrar um momento, um movimento. É mais do que sobre ditar moda, é sobre encaderná-la e guardá-la para a posteridade. Em tempo de tudo tão IMPALPÁVEL, digital, nft, metaverso, que o toque da revista me atrai, mas também, não quero tocar em qualquer coisa, quero tocar em algo bonito e inspirador. Quero tocar numa revista que me dê vontade de emoldurar uma capa, tal qual essa da Vogue britânica de fevereiro.

Sim, essa nova edição me inspirou a escrever sobre. Tenho preparado textos mais soltos pro blog, tal qual 2015, pois, assim como as revistas de moda, encaro o desafio diário de fazer com que meu outrora leitor saia por 2 minutos do Instagram e venha ler um post. E, voltando pro lado revista da coisa, essa revista me despertou desejo em folheá-la mais que qualquer feed de uma rede social.

Corta pro recheio da revista já histórica: 9 modelos de origem africanas e pele retinta numa capa inédita. São elas, Adut Akech, Anok Ya, Majesty Amare, Amar Akway, Janet Jumbo, Maty Fall, Nyagua Ruea, Abény Nhial e Akon Changkou. Segundo Edward Enninful, editor da publicação e homem negro que vem buscando revolucionar o mercado editorial (e dizem que substituirá Anna Wintour em breve), a ideia não era, como em toda capa de grupo, colocar uma ou outra modelo negra, mas que todas fossem

“Que a ascensão das modelos de origem africana seja revolução permanente. Que essas modelos ocupem um lugar significativo, substancial e igual entre as mulheres mais bem-sucedidas que trabalham na moda hoje”.

 

A capa se torna marcante pelo fato de serem 9 modelos pretas, muitas delas da nova geração e ainda de pele retinta, o que abre o espaço e debate sobre questões de colorismo e os fenótipos no mundo da moda agora, finalmente modificado. Obviamente esse assunto não é meu lugar de fala, mas como uma forte entusiasta de moda e editoriais, acho admirável o caminho para o qual essa capa nos indica. E a relevância das revistas em ainda PAUTAREM assuntos importantes e contemporâneos. O debate foi aberto, reflexões surgirão, tal qual capas melhores e mais adaptadas aos novos tempos.

Não pretendo entrar no mérito do styling, maquiagem, luz ou fotografia (feita pelo brasileiro Rafael Pavarotti), mas em admirar uma capa que causa comoção e euforia. É que as capas andam tão sem graça, previsíveis, muitas se limitam até pelo fato de questões financeiras atreladas (patrocinadores ditando o tom ou look) ou de excesso de celebridades… que uma capa com NOVE modelos me encanta já de partida.

Lógico que é preciso atentar outra questão relevante que paira o mundo da moda, como a diversidade de corpos e o quão importante seria ver modelos gordas nessa capa, por exemplo.

Quando postei no Instagram essa capa, uma leitora me deu um insight muito preciso e que gostaria de compartilhar as palavras importantes da Grazyela Machado, que no insta dela fala com muito muita propriedade sobre.

“Ainda está muito longe do que somos. Estão aí representadas mulheres pretas com traços brancos, cabelos lisos e etc. Mas sim, é um avanço, mas para que o avanço seja efetivo há que se criticar a fim de sempre melhorarmos e acolhermos mais e mais de nós e não somente um estereótipo que é minoritário inclusive em nosso grupo racial”. 

 

E é isso, foram através das críticas e até mesmo movimentos surgidos na poderosa – e retumbante – rede social que se avançou o discurso e conversa, logo, transformação. Sei que muitas vezes a mudança é gradual e fora do compasso, mas é impossível  não notar o que vem acontecendo e, em se tratando de 2022, ainda estamos no DÉCIMO TERCEIRO dia do ano, mas 2021 promete com boas revoluções e essa capa traz bons ventos. 🙂

 

E sim, assim que eu achar, comprarei essa versão impressa e de colecionador!

 

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